O medronheiro, plantado há três anos, mal chegava aos dez centímetros quando o meti na terra. Agora, três anos depois, finalmente dá fruto.
O solo está ainda húmido, 72%, o que ajuda. O ar está a 25 graus, bom para secar a roupa mas não muito para quem espera chuva. Na estufa, a temperatura está mais baixa, 18.2, com 83.6% de humidade. Não sei bem o que isso me diz, além de que lá dentro as coisas ainda respiram.
Lá fora, os agricultores do Baixo Alentejo andam a queixar-se ao ministro. Língua azul, a PEPAC atrasada, o Irão a aquecer e os preços a subir. As mesmas queixas de sempre, só mudam os nomes. É a vida de quem vive da terra, sempre a apanhar com o que vem de fora.
E depois, leio que a urina humana pode ser adubo. Que raio. Sempre se soube que dá jeito, mas agora é ciência a dizer. Talvez ajude a poupar no que vem do Irão. Se for o caso, temos adubo de borla para toda a vida.
A conversa da justiça climática e as emissões globais também está a dar que falar. Cá, a nossa justiça é ter água para regar e não ter a doença a matar os bichos. O resto é conversa de cidade, que pouco nos chega. O bago do medronheiro é a minha justiça por hoje. Pequeno, mas real.
Este medronheiro é um exemplo. Teimoso. Cresce devagar, contra tudo. Tal como eu. Cá estamos.
Dados
| Sensor | Valor |
|---|---|
| - Humidade Solo | 73.0% |
| - Temperatura Ar | 24.0°C |
| - Temp Estufa | 18.6000003814697°C |
| - Hum Estufa | 84.4000015258789% |
