Área, espécies, anos de atividade e ausência de herbicidas são registos de gestão do Wild Alentejo; não são certificação externa nem avaliação laboratorial.
Os princípios apresentados orientam o manejo do sistema e devem ser ajustados ao solo, à água, ao microclima e à sucessão observada no local.
Uso princípios da agrofloresta sintrópica como uma linguagem de trabalho, não como uma receita fechada. Testo cobertura do solo, estratos de vegetação e devolução de biomassa; depois observo como cada escolha responde ao clima, ao solo e à água disponíveis.
Em Mértola, onde o verão é quente e seco, tenho de decidir com cuidado onde fica a água e que plantas recebem atenção primeiro. Solo descoberto tende a aquecer e a ficar mais exposto; o efeito de cada cobertura depende da espécie, da estação, da chuva e do manejo.
Cada intervenção é uma hipótese que acompanho: a poda redistribui luz e devolve biomassa ao solo; as galinhas, em rotação controlada, podem redistribuir matéria orgânica. Os efeitos são observados no terreno, sem os assumir como automáticos.
Mulch de biomassa e lã de ovelha procuram proteger a superfície, reduzir a exposição solar e aumentar entradas orgânicas. O efeito sobre fungos micorrízicos não foi medido.
Dossel, sub-dossel, arbustos, herbáceas e cobertura rasteira em simultâneo.
Rega por gotejamento, monitorização do poço em tempo real via IoT.
13 galinhas em rotação: hipótese de manejo para redistribuir matéria orgânica; observar cobertura, compactação e recuperação da vegetação.
As fotografias documentam momentos do sistema no terreno; mostram contexto e evolução visual, não substituem medições comparativas.
Registo em campo da densidade sintrópica e cobertura do solo após 3 anos.
Como e porque se corta: redistribuir luz, devolver biomassa ao solo e acompanhar a resposta das plantas.
| Espécie | Funções Principais |
|---|---|
| Sobreiro | Sombra estrutural, microclima, raízes profundas, abrigo fauna |
| Azinheira | Sombra estrutural, produção de bolota, estabilidade do ecossistema |
| Alfarrobeira (Ceratonia siliqua) | Copa de longo prazo, fruto e elevada resistência à seca |
| Choupo Branco | Bomba de água, biomassa rápida, estabilização de solo |
| Salgueiro | Controlo hídrico, biomassa, enraizamento profundo |
| Lódão-bastardo | Árvore estrutural mediterrânica, alimento para aves, regeneração natural |
| Espécie | Funções Principais |
|---|---|
| Retama (Retama sphaerocarpa) | Raízes profundas, fixação de azoto e recuperação de solo seco |
| Giesta espinhosa (Genista scorpius) | Leguminosa mediterrânica, fixação de azoto e abrigo |
| Giesta-brava (Genista florida) | Fixação de azoto, sucessão e biomassa; confirmar origem local |
| Luzerna-arbórea (Medicago arborea) | Fixação de azoto, biomassa e abrigo; requer cuidado no estabelecimento |
| Trevo subterrâneo (Trifolium subterraneum) | Cobertura viva de inverno e fixação de azoto |
| Tremoço-amarelo (Lupinus luteus) | Cobertura/adubo verde e fixação biológica de azoto; apenas em solo compatível |
| Olaia (Cercis siliquastrum) | Flores, estrutura e biodiversidade; não contar como fixadora de azoto |
| Eucalipto (Eucalyptus spp.) | Apenas suporte/biomassa condicionado; nunca espécie central, dominante ou sem avaliação de água, fogo e controlo |
| Choupo-branco (Populus alba) | Apenas para zonas ripícolas/húmidas; usar junto de infiltração ou lençol freático acessível |
| Salgueiro (Salix spp.) | Biomassa de linhas de água; não é espécie geral de sequeiro |
| Lódão-bastardo (Celtis australis) | Árvore grande para solos profundos/frescos; usar apenas em microclima adequado |
| Melia (Melia azedarach) | Exótica e potencialmente invasora; excluída da recomendação central |
| Casuarina (Casuarina equisetifolia) | Excluída da recomendação exterior normal; costeira/subtropical e sensível à geada |
| Moringa (Moringa oleifera) | Apenas estufa/experimental; sensível à geada |
| Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) | Apenas estufa/microclima muito protegido; trepadeira sensível à geada |
| Erva-príncipe (Cymbopogon citratus) | Biomassa irrigada/experimental; queima com a geada |
| Espécie | Funções Principais |
|---|---|
| Oliveira | Azeite, estabilidade ecológica, longevidade |
| Figueira | Fruta, alimento para fauna |
| Amendoeira | Fruto seco, atracção de polinizadores |
| Amoreira Branca | Fruta, biomassa rápida |
| Nespereira | Fruta precoce; posição protegida e água de instalação |
| Pereira | Fruta; cultivar adequada, solo profundo e água disponível |
| Pessegueiro | Fruta; condicionada por água e solo |
| Albricoqueiro | Fruta; drenagem, água de instalação e risco de geada na floração |
| Espécie | Funções |
|---|---|
| Romanzeira | Fruta, polinizadores |
| Medronheiro | Fruta, polinizadores |
| Laranjeira | Fruta de sub-bosque; rega regular e proteção |
| Tangerineira | Fruta de sub-bosque; rega e proteção contra geada |
| Limoeiro | Fruta de sub-bosque; elevada necessidade hídrica |
| Tagasaste (Cytisus proliferus) | Fixadora de azoto de estrato médio; poda 2–3 vezes por ano para biomassa |
| Murta | Abrigo fauna, medicinal |
| Aroeira | Resistência à seca, biodiversidade |
| Sanguinho-das-sebes | Alimento fauna |
| Sanguinho-do-monte | Regeneração natural |
| Carpeteiro | Cobertura vegetal, proteção do solo |
| Esteva | Pioneira, retenção de humidade, resina medicinal |
| Funcho (Foeniculum vulgare) | Herbácea alta na floração, insetos benéficos |
| Verbasco (Verbascum spp.) | Herbácea alta na floração, cobertura e insetos benéficos |
| Espécie | Funções |
|---|---|
| Lavanda | Polinizadores, repelente de insetos |
| Rosmaninho | Polinizadores |
| Alecrim | Polinizadores, medicinal |
| Orégãos | Polinizadores, culinário |
| Tomilho | Polinizadores, culinário |
| Espécie | Funções |
|---|---|
| Vetiver | Controlo de erosão, infiltração de água, raízes profundas |
| Espécie | Funções |
|---|
| Espécie | Funções |
|---|---|
| Malva | Mineralização de nutrientes |
| Serralha | Biomassa rápida |
| Cardo | Raízes profundas, descompactação do solo |
| Dente-de-leão | Mineralização de minerais |
| Tanchagem | Medicinal, melhoria do solo |
| Trevo (flor amarela) | Fixação de azoto, cobertura viva |
As entradas abaixo registam intervenções e observações datadas do Wild Alentejo. Os resultados dependem das condições concretas de cada período.
Primeira intervenção: remoção de vegetação invasora, análise de solo e instalação do sistema de rega por gotejamento alimentado a energia solar.
Instalação das pioneiras de crescimento rápido (Melia, Choupo, Amoreira, Eucalipto) e das espécies de clímax (Alfarrobeira, Sobreiro, Nespereira). 40+ espécies no total.
As pioneiras são podadas pela primeira vez, devolvendo biomassa fresca ao solo. Diferenças de temperatura entre zonas cobertas e solo exposto passaram a ser acompanhadas no terreno.
13 aves entram em rotação no sistema. A sua integração é acompanhada como hipótese de manejo para redistribuir matéria orgânica, sem assumir efeitos automáticos sobre pragas, fertilidade ou mobilização do solo.
Primeiros frutos colhidos. Há sinais visíveis de atividade no solo, como minhocas e cobertura espontânea. O sistema continua a exigir observação, poda, reposição e decisões de água.